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Atendimento de advogado com postura sistêmica

  • 30 de janeiro de 2020
  • Marisa

 

Todos nós fazemos parte de um sistema familiar e herdamos a memória genética e psicogenética de várias gerações e, por isto, muitas vezes, inconscientemente, repetimos padrões de comportamento, atitudes, crenças, profissões, limitações, doenças, abusos, etc, em lealdade a esses encentrais.

Então podemos perguntar: há a possibilidade de mudar estes padrões repetitivos? Como?

O estudo do pensamento sistêmico possibilita o entendimento dos princípios e regras que movimentam os humanos nas suas ações dentro dos sistemas que pertencem, permitindo assim a observação e a percepção daquilo que nos guia a agirmos de determinada forma e em determinadas situações.

Desta forma, conscientes do contexto no qual estamos, podemos escolher em nos reposicionarmos, bem como, trazermos reequilíbrio a algo que pode estar desequilibrado no nosso sistema. Ao contrário disso, se não tivermos esta percepção e autoconsciência, será o inconsciente quem nos moverá para a repetição das crenças e lealdades de acordo com o padrão já instituído no nosso sistema familiar.

Para Bert Hellinger[1], o sistema ao qual pertencemos é orientado naturalmente por leis que ele denominou de Leis do Amor, que são o pertencimento (todos pertencem a um sistema), a hierarquia (precisamos respeitar a ordem de chagada dentro de cada sistema) e o equilíbrio de troca entre o dar e o receber. Assim, quando uma destas leis não é seguida ou cumprida, pode ocorrer um desajuste com consequentes conflitos.

Contudo, além de observarmos e seguirmos as leis do amor do Bert Hellinger, precisamos ainda de algo a mais, isto é, necessitamos estar em movimento, ou seja, FAZER algo com a vida que recebemos dos nossos pais e, se recebemos  o essencial que foi a vida, precisamos estar em movimento nesta vida, fazendo realmente algo de bom, com propósito e principalmente conectados com aquilo que traz significado a nossa existência e as nossas escolhas.

Portanto, o estudo e o entendimento do pensamento sistêmico justamente se coloca à serviço deste algo maior, ou melhor, permite que com a consciência ampliada e em estado de presença,  sentimos, observamos e assumimos a responsabilidade pela nossa vida e pelo destino dela, realmente  exercendo o “fazer” diante da vida que recebemos, pois desta forma adquirimos força para modificar o que está em desordem ou desequilíbrio.

Pois bem.

Afinal, como é o atendimento do advogado com este conhecimento e postura sistêmica?

Quando um cliente procura um advogado em busca de auxílio para a resolução de um problema ou conflito, o advogado capacitado, com formação e postura sistêmica, poderá, do seu lugar de advogado e não mais lugar de salvador deste cliente, disponibilizar  recursos e ferramentas que possibilitam o cliente também ampliar a consciência sobre o conflito apresentado, permitindo a ele observar a sua corresponsabilidade neste conflito e desta forma auxiliar na construção das reais possibilidades jurídicas de resolução do conflito.

Assim, por exemplo, em um atendimento jurídico referente a atraso de pensão alimentícia, uma cliente solicita o ajuizamento de uma ação de execução de alimentos em desfavor do pai dos filhos menores.

Primeiro, poderíamos nos perguntar o que afinal faz um pai não pagar alimentos aos seus próprios filhos menores? Quais as dinâmicas e crenças ocultas no sistema familiar deste pai, desta mãe ou de ambas as famílias que impedem ele de se auto responsabilizar pelo também sustento dos seus filhos?

As possibilidades são muitas. Mas o campo da experiencia em atendimento sistêmico com as ferramentas e recursos adequados, observou-se que este pai não se sentia efetivamente pai destes filhos, por uma dinâmica de repetição em relação ao pai dele, bem como por uma dinâmica no sistema familiar da mãe que dificultava o pai de exercer a sua função de pai.

Importante explicar que quando uma mãe não aceita ou não permite que o pai seja do seu jeito simplesmente o pai dos filhos comuns (ao julgar, falar mal, menosprezar, criticar, humilhar este pai), esta mãe, de forma inconsciente, tira a força que esse pai tem em relação aos filhos e, assim, ele, também inconscientemente,  não se sente pai e, portanto, não se sente responsável pelo sustento dos filhos, pois, para ele, os filhos são só da mãe.

Portanto, neste caso concreto, com o atendimento sistêmico, esta cliente pode visualizar através dos recursos as reais causas ocultas que levam o pai a não pagar ou atrasar os alimentos aos filhos e, com esta nova consciência, a cliente pode também identificar e se auto responsabilizar por uma postura que exercia até então de menosprezar e diminuir a força deste pai perante os filhos.

Então, diante disto, o que fazer? Não cobrar os alimentos atrasados? Obviamente que os alimentos fixados e não pagos são devidos e devem sim sempre ser cobrados através de uma tentativa consensual ou mesmo através de uma ação de execução de alimentos.

O que realmente muda neste caso é a possibilidade desta cliente ressignificar sua postura ao perceber que o pai dos seus filhos sempre será o pai destes filhos e cabe a ela, do lugar de mãe, e não mais do lugar de mãe e pai, aceitar este pai como ele efetivamente é e consequentemente conduzir estes filhos para que possam tomar a força deste pai.

Este movimento da mãe permite a este pai, gradativamente, se colocar no seu verdadeiro lugar, o de pai e então assumir sua corresponsabilidade no sustento dos filhos comuns, o que em última análise significa dizer que ocorre um reequilíbrio de algo que estava desequilibrado e causando conflito neste sistema (atraso do pagamento de pensão alimentícia), e com esta reordenação, as ações de execução de alimentos até então frequentes, tem a possibilidade de diminuírem ou não serem mais necessárias.

“A sabedoria chega a nós em sintonia com a vida. Ela serve à vida. Em sintonia com ela também nós servimos à vida. Como? Com SUCESSO.” Bert Hellinger

Fotos do atendimento individual no escritório:

[1] Bert Hellinger: filósofo, teólogo, terapeuta  e pedagogo, nascido na Alemanha, sistematizador das Leis do Amor.

Artigo escrito pela colunista Marisa Ecke Medeiros para o Portal da Mulher www.portaldamulher.com.br

Marisa Ecke Medeiros é advogada com postura sistêmica e colaborativa, com experiência em métodos alternativos de gestão de conflitos, pós-graduada em Direito Civil/Processo Civil e Direito de Família e Sucessões. É sócia proprietária do escritório SETM Advogados, com sedes em Campinas e Piracicaba, escritório este que atua em diversas áreas do Direito, sendo a sua atuação específica em Direito de Família, Sucessões, Planejamento Sucessório e Práticas Sistêmicas. É Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, bem como do Grupo de Estudos de Empresas Familiares na FGV Direito SP – GEEF. Possui capacitação em Práticas Colaborativas pelo Instituto Brasileiro de Práticas Colaborativas – IBPC e participa do grupo de estudo de práticas colaborativas de São Paulo. Possui formação em Pensamento Sistêmico e Constelação Familiar com ênfase no Direito pela Sociedade Brasileira de Direito Sistêmico – SBDSIS e Consteladora Sistêmica. Atualmente é Vice-Presidente da Comissão de Direito Sistêmico da OAB Campinas/SP, estando fortemente engajada em propagar o Pensamento Sistêmico e a Cultura de Paz através do atendimento individual com seus clientes, bem como promovendo palestras, cursos e workshops para outros profissionais.

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